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Terceiro quarto de jogo. Kobe Bryant recebe passe de Jordan Farmar e dispara um arremesso certeiro. A cesta faz com que o Lakers volte a se aproximar no marcador, num momento em que o time vinha tendo muitas dificuldades para pontuar contra a forte defesa do Grizzlies, que, no final das contas, acabou vencendo o confronto por 95 a 93.
A cena descrita acima entrou para a história: quem voltou suas atenções para a contenda que ocorreu no FedEx Forum, em Memphis, na segunda-feira, pôde testemunhar o camisa 24 do Los Angeles Lakers tornar-se o maior cestinha de todos os tempos da franquia. Com os 44 pontos registrados no embate, acumulou 25.208 tentos, deixando pra trás o então recordista Jerry West, armador que defendeu a equipe entre os anos de 1960 e 1974.
A longa trajetória de Kobe começou no dia 3 de novembro de 1996. Aos 18 anos, disputou, diante do Minnesota Timberwolves, sua primeira partida como profissional. Em apenas seis minutos de ação, não pontuou. No jogo seguinte, em somente três minutos em quadra, registrou o seu primeiro ponto, ao converter um dos dois lances livres que arriscou. Quiseram os deuses do esporte que o futuro astro encestasse sua primeira bola na principal arena do basquete, o Madison Square Garden.
Em sua primeira temporada na liga, pouco impressionou – muito por conta do limitado tempo de quadra, já que Kobe era reserva de Eddie Jones à época. Mas, no ano seguinte, começou a estourar. Tanto que participou do All-Star Game de 1998, no mesmo Madison Square Garden em que anotou seu primeiro ponto da carreira. Saiu de lá derrotado, tendo em vista que a conferência Leste, liderada por Michael Jordan, venceu o evento. Mas seu talento chamou bastante a atenção de quem assistia o jogo, sobretudo quando, durante a partida, duelava de igual para igual com o astro do Chicago Bulls.
De lá pra cá, mais de dez anos se passaram. Sua presença no Jogo das Estrelas de 1998 foi a primeira de uma seqüência ininterrupta no evento que não dá sinais de ser interrompida tão cedo. O processo de amadurecimento de Kobe dentro da liga permite ao astro, hoje com 30 anos, olhar para trás e ver tudo o que conquistou ao longo da década: três vezes MVP do All-Star Game (2002, 2007 e 2009), uma da temporada regular (2008) e uma das finais (2009). Além disso, foram várias presenças no time de defesa e no time geral da liga. E, claro, o mais importante: quatro anéis de campeão.
Ao atingir o maior número de pontos dentre todos aqueles que defenderam a camisa do Los Angeles Lakers, Kobe, definitivamente, escreveu o seu nome não só na história da franquia – uma das mais tradicionais, fundada em 1949 –, mas também no da NBA. Como ele conseguiu isso? Engana-se quem acha que foi exclusivamente por causa de seu dom natural.
Kobe é, de fato, um dos atletas mais dotados de talento do mundo do esporte. Mas sempre soube muito bem que só isso não seria o suficiente. Era necessário muito trabalho. E foi isso que ele fez desde cedo: nunca hesitou em colocar uma dose extra de esforço em suas atividades, mesmo naquelas que tinha habilidade natural, como o basquete.
“Na primeira vez em que o vi jogar, com 13 anos, tive a certeza, depois de cinco minutos, de que ele jogaria profissionalmente. Nunca houve um momento que duvidei disso. Ele é abençoado por ter muita habilidade natural, mas o esforço dele é muito forte”, diz Gregg Downer, técnico de Kobe na escola.
Às vésperas do Draft de 1996, quando se preparava para ingressar na NBA diretamente do colegial, muitos especialistas o colocavam como uma escolha para o final da primeira rodada do recrutamento. Mas o Charlotte Hornets (franquia que hoje tem sua sede em New Orleans) decidiu selecioná-lo na 13ª posição.
Algumas semanas se passaram e, depois de uma intensa pressão sobre o Hornets, o Los Angeles Lakers finalmente adquiriu os direitos de Kobe Bryant dando, em troca, o pivô Vlade Divac. O time angelino fazia questão de contar com aquele talentoso garoto de 18 anos no seu elenco e manteve as atenções voltadas para a negociação durante cerca de um mês para atingir a meta.
Isso tudo porque o então general manager do Lakers havia acompanhado Kobe num treinamento, dias antes do processo de recrutamento de 1996. E, ao assisti-lo, convenceu-se de aquele jovem atleta era o melhor jogador de basquete que já havia visto. O cartola em questão chama-se Jerry West, um dos maiores ídolos da história da franquia; o mesmo que teve o recorde quebrado no início da semana.
Por isso, quando Kobe Bryant deixou o FedEx Forum no final do jogo como o maior cestinha de todos os tempos do Los Angeles Lakers, West teve motivos de sobra para ficar orgulhoso. Sua insistência em trazê-lo rendeu muitas coisas positivas para a equipe ao longo dos últimos 14 anos. Mais do que isso: foi a confirmação de tudo aquilo que sentiu ao ter seu primeiro contato com ele. O astro do passado foi reconhecido pelo astro do presente na noite histórica.
"Ele (West) me ensinou muito quando eu tinha 17 anos sobre o jogo. Apesar de eu estar passando ele no livro dos recordes, eu sinto como se fôssemos nós", disse Kobe Bryant após a partida, referindo-se àquele que foi o primeiro a acreditar no seu potencial.
Explicar apenas em números a grandeza do astro que é Kobe Bryant para a liga é uma missão bastante complicada, pois a matemática, ainda que seja uma ciência exata, não consegue demonstrar com extrema justiça o que o jogador representa para a NBA nos últimos anos. Além do fato de que a natureza humana dificilmente tem a capacidade de perceber quando a história sendo escrita.
Kobe entrou na liga garoto, cercado de expectativas e foi, aos poucos, correspondendo a cada uma delas. O amadurecimento veio ao longo do tempo, sendo construído paralelamente a uma carreira que hoje o coloca entre os maiores de todos os tempos. Fruto do talento inigualável e do esforço incansável.
O maior cestinha da história do Los Angeles Lakers não atingiu o feito por acaso. Todas as suas conquistas são conseqüências de cada hora a mais que o jogador passou no ginásio, treinando arremessos e melhorando a sua condição atlética.
É a prova viva de que a habilidade natural, por maior que seja, nunca pode caminhar sem o trabalho árduo do dia a dia.
Legal, tem um foco interessante sobre o começo dele e a visão do Jerry West. Acho que podia ter falado um pouco sobre a personalidade dele, algo em que foi muito criticado durante anos, e que hoje acabou se transformando num exemplo de dedicação e responsabilidade na liga.
Muito bom o artigo, o autor esta de parabens uma homenagem justa ao armador da década e um dos 5 melhores de todos os tempos.. Eu acho que faltou citar o desejo insano de Kobe Bryant de ganhar cada partida, que o levou a ser severamente criticado, em outros tempos, por sua individualidade. Individualidade que hoje em dia deu lugar a maturidade de escolher os arremessos e passes em momentos oportunos. Infelizmente ao longo de sua carreira foi injustiçado algumas vezes quanto ao troféu de MVP da season. E o All-star game de 1998 foi o "bicho".
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